Nocturno

Segunda-feira, Dezembro 21

Natal com «nouvelle cuisine»?

Se o Natal é tradição, há um ponto em que a tradição natalícia me aborrece. É o ponto gastronómico. Sendo a família de origem transmontana, a consoada obedece, desde que me conheço, a um rigoroso programa de abstinência, mas inclui uma exorbitância de iguarias que nunca falaram ao meu palato (embora costumassem ficar à conversa com o meu estômago horas a fio, num diálogo que só raramente era pacífico). A matéria-prima – no que respeita a salgados – sempre se centrou na pescada, no bacalhau e no polvo (esse inteligente cefalópode em que recuso fincar o dente), mas as variações sobre os temas eram e são imensas, entre fritas, cozidas e assadas no caldeirão. Lamentavelmente, meio século de uma conturbada aventura digestiva fez de mim um péssimo - ou ingrato? - garfo, que, na circunstância, aprendeu a refugiar-se na frugalidade da colherita de arroz branco com o singelo ovo verde. Não sou, definitivamente, apreciadora de mesas atestadas e pratos cheios. Os meus gostos pendem para a «nouvelle cuisine», de que subscrevo o princípio «filosófico» de que os olhos devem comer mais do que a boca. E a minha referência é e será aquela extraordinária nuvem de batata que um dia me serviram em San Sebastian, aquele pequeno prodígio de engenharia culinária, que flutuava sobre um tenro «carré» de dois por dois centímetros de borrego, e que, não obstante a sua transparência e fugaz ingestão, não deixou de me agitar o nervo gustativo com um perfume mágico a batata. Que quantidade é quase antónimo de qualidade é um dado que não divide opiniões. Pois este Natal, em que se anunciam algumas mudanças de forma, quero acreditar que também as haverá de fundo. E cabendo-me a confecção da sopa, decidi erradicar o grosseiro feijão e a prosaica couve-galega, e tentar um delicado «consommé» de abóbora-menina, guarnecido com salsa. Já anunciei a revolução e já a estimulei noutros participantes e comensais. Mas palpita-me que, na hora da verdade, me vou defrontar com a mesma mesa atestada de pastéis de bacalhau, de postas de pescada e de nacos de polvo, com arrozes disto e daquilo e trivialíssimas batatas. Pior ainda, palpita-me que, na hora da verdade, o meu caldinho de abóbora vai conhecer a perfídia de um protesto saudosista, concertado à traição.

Domingo, Dezembro 20

Arte urbana...

Na Calçada da Glória...
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[...]

Durmo, desperto e sozinho.
Que tem sido a minha vida?
Velas de inútil moinho —
Um movimento sem lida...
Durmo, desperto e sozinho.

Nada explica nem consola.
Tudo está certo depois.
Mas a dor que nos desola,
A mágoa de um não ser dois
Nada explica nem consola.



(Fernando Pessoa, Aqui está-se sossegado).

Sábado, Dezembro 19

No Jardim Lisboa Antiga...

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Em fundo...



Alyssa Graham com Butterflies.

Sexta-feira, Dezembro 18

No Jardim de São Pedro de Alcântara...

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Angústias existenciais de uma «alfacinha»:

Tenho pouco a dizer sobre as iluminações de Natal. E menos ainda sobre o que nos custam, porque sei que sentiria a sua falta, se não as encontrasse na Baixa e no Chiado. Apesar disso, há reparos a fazer à execução dos trabalhos decorativos e a certas opções estéticas de interesse duvidoso. Na minha rua, vejo fios e lâmpadas lançados aos ramos das árvores com a alegre despreocupação com que, nos Carnavais da minha infância, atirávamos as fitas coloridas aos castanheiros do passeio central. Um dia destes, alguma coisa vai pegar fogo por aqui. Também ontem, no Jardim de São Pedro de Alcântara, em cujo quiosque parei por uns instantes para um café, tive de bater em lesta retirada, de cabeça baixa e olhos pregados ao chão, quando, inesperadamente, o céu negro do miradouro largou a bombardear-nos com mil clarões de uma luz branca e agressiva, que magoou as retinas de todos os presentes e a todos sintonizou no entendimento de que era absolutamente imprópria para consumo, não só de vistas, como de cérebros sensíveis. Convém ter presente que Lisboa não inveja, nem tem população que particularmente aprecie – ou suporte por muito tempo - o modelo feérico da discoteca nocturna.

Quinta-feira, Dezembro 17

Ensaio com quadradinhos - 5 (continuação)

A Viúva e os seus amores...


Último capítulo

Em fundo...



Jacqui Naylor com Don't Let the Bastard Get You Down.

Ensaio com quadradinhos - 5

A Viúva e os seus amores...


Primeiro capítulo


(Continua já, depois de um pequeno intervalo...)

Quarta-feira, Dezembro 16

Árvores...

No Jardim Lisboa Antiga...
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I think that I shall never see
A poem lovely as a tree.

A tree whose hungry mouth is prest
Against the sweet earth's flowing breast;

A tree that looks at God all day,
And lifts her leafy arms to pray;

A tree that may in summer wear
A nest of robins in her hair;

Upon whose bosom snow has lain;
Who intimately lives with rain.

Poems are made by fools like me,
But only God can make a tree.


Joyce Kilmer, Trees

Terça-feira, Dezembro 15

Em fundo...



Judy Collins com Send In the Clowns.

Palhaçadas...

Procuro, em regra, reagir às coisas rapidamente, não apenas porque a rapidez sinaliza dinamismo, mas, sobretudo, porque o tempo é apertado e regateiro, e num abrir e fechar de olhos nos faz perder o comboio. Há, no entanto, um campo em que me agrada falhar o momento certo, chegar atrasada, intervir quando já todo o mundo virou a página. É o campo da política. Primeiro, porque gosto de meditar a minha posição, ciente de que o impulso primário nunca é avisado. Depois, porque prefiro deixar que os ânimos arrefeçam, diminuindo, significativamente, o risco de um comentário fogoso e desmoralizador, desses contra os quais, apesar da minha natureza igualmente fogosa, me imponho o mais sisudo dos silêncios. Posto isto, volvida que está uma semana sobre o acontecimento, é altura de declarar, sem receios, o meu apoio à Zezinha Nogueira Pinto. Não duvido de que o seu interlocutor, cujas palavras provocatórias não ouvi, mas de que apanhei as palavras defensivas, é um palhaço. E não duvido, porque tenho a Zezinha por uma mulher a que a feminilidade combativa e arisca não obnubila a inteligência, nem a perspicácia. Mas não duvido também porque a minha própria análise da realidade me evidencia que o Portugal de que se fala na comunicação social é um circo pejado de palhaços. No poder, uma única personagem parece em ânsias genuínas de inspirar respeito: o PR. No Parlamento, anos e anos de inoperância, acrescidos de cinco de humilhações, amesquinharam profundamente a deputação, motivo por que, nas várias fatias do hemiciclo, se perdeu a noção do essencial (ou da gravidade das funções) e se usa e abusa do malabarismo retórico em prol de causas menores, fracturantes ou simplesmente interesseiras. Na Justiça, a perturbação introduzida pela súbita exposição mediática e a convivência perigosa com infiltrados governamentais trouxe à tona o instinto de sobrevivência, que raramente emparelha com dignidade e honra. E no Executivo, estes – dignidade e honra - são conceitos incompreendidos… embora esteja bem apreendida a sua inutilidade (pois não vencem eleições) e a sua volatilidade (pois basta uma «campanha negra», habilmente articulada com os jornais, para os comprometer, senão destruir). É assim inevitável a constatação de que, entre nós, o exercício do poder e do serviço público são exercícios egoistas, fraudulentos, de faz-de-conta… palhaçadas! Infelizmente, a mesma análise força-me a reconhecer, num surdo lamento, que não há só palhaços dentro da arena. Um, pelo menos, está fora dela. É que, na minha condição de portuguesa comum, tinha, no tocante aos ditos poder e serviço públicos, aspirações modestas, não indo além de uma educação e de uma saúde baratas para mim e para os meus concidadãos. Mas a resposta «democrática» de ambos foi fazer-me alombar com um aparelho de Estado gigantesco, asfixiante, tentacular, que maltrata a educação e a saúde, e que ainda me sonega, entre impostos, taxas e outras tantas cobranças encapotadas, metade dos rendimentos do meu trabalho. Se isto não é ser-se palhaço, não sei o que é ser palhaço. Aliás, neste papel de «palhaça» pobre, sou, seguramente, o maior palhaço de todos…

Sábado, Dezembro 12

No Largo Trindade Coelho...

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Sexta-feira, Dezembro 11

Climategate

A imagem aparece nas páginas 20 e 21 da revista Sábado de há uma semana e, autêntica ou trabalhada, impressiona: de um mar de nuvens de fumo e cinzas, que se estende até um horizonte longínquo, emergem, aqui e acolá, os topos de uns edifícios de habitação ou escritório, como ilhotas perdidas no oceano. E as questões que imediatamente se nos colocam são: como será a cidade submersa, a cidade chinesa que se esconde abaixo da superfície desse oceano de poluição? Como será que se vive e se respira naquelas profundezas aparentemente cerradas a qualquer sopro de ar limpo ou raio de Sol? A conferência de Copenhaga e o escândalo chamado Climategate vieram - agora que a pandemia gripal atingiu o ponto do desinteresse noticioso - reintroduzir na agenda o aquecimento global e a correspondente polémica entre crentes e cépticos, mas o assunto, confesso, não me toca. Talvez porque o situo nas camadas «estratosféricas» da Terra, invisível, incompreensível, distante, futuro. Tocam-me, sim, as realidades ambientais presentes e palpáveis, como a que a imagem da Sábado tão expressivamente denuncia, e cujos tons pardacentos são, para mim, bem mais assustadores do que a subida de um grau na temperatura dos nossos Verões. É verdade que as fotografias se manipulam. Mas a minha renite não, nem as renites e as alergias que incomodam quase toda a gente que conheço. Como não é, lamentavelmente, manipulada a pobreza famélica de uma grande parte da humanidade e a pré-extinção de algumas espécies animais e vegetais. Também não creio que sejam manipulados os distúrbios climatéricos que antes ocorriam uma vez em cada século e ocorrem, por estes dias, uma vez em cada ano. Nem consta que seja manipulada a crescente desertificação do nosso Alentejo, processo que parece vitimar, a ritmo muito acelerado, largas extensões da China e da Amazónia, até há pouco cobertas de florestas tropicais. Não é, em suma, manipulável o passado de uma criatura humana que nunca deixou de manipular o planeta em função dos seus interesses gananciosos, por via e à medida do seu domínio do seu semelhante, da natureza e do conhecimento científico e tecnológico; desde os tempos remotos em que arrancava lascas às pedras, aos de hoje, em que já dá polimento aos genes. É disto, sobretudo, que tenho medo: da falta de cuidado e de equilíbrio – ou de ética - no desenvolvimento. E é pelos danos que vimos causando, construindo um mundo em que, em todos os balanços, a miséria ganha aos pontos ao bem-estar, que vale a pena parar e flectir o rumo. Não esquecendo, ainda assim, que um retorno à pureza da primitiva oxigenação dos espaços, a nós, indivíduos mutantes, provocaria, se calhar, as maiores enxaquecas.

Em fundo...



Erin Bode com Over and Over.

Quarta-feira, Dezembro 9

Diário gráfico

Il faut que le poète, épris d'ombre et d'azur,
Esprit doux et splendide, au rayonnement pur,
Qui marche devant tous, éclairant ceux qui doutent,
Chanteur mystérieux qu'en tressaillant écoutent
Les femmes, les songeurs, les sages, les amants,
Devienne formidable à de certains moments.
Parfois, lorsqu'on se met à rêver sur son livre,
Où tout berce, éblouit, calme, caresse, enivre,
Où l'âme à chaque pas trouve à faire son miel,
Où les coins les plus noirs ont des lueurs du ciel,
Au milieu de cette humble et haute poésie,
Dans cette paix sacrée où croit la fleur choisie,
Où l'on entend couler les sources et les pleurs,
Où les strophes, oiseaux peints de mille couleurs,
Volent chantant l'amour, l'espérance et la joie,
Il faut que par instants on frissonne, et qu'on voie
Tout à coup, sombre, grave et terrible au passant,
Un vers fauve sortir de l'ombre en rugissant !
Il faut que le poète aux semences fécondes
Soit comme ces forêts vertes, fraîches, profondes,
Pleines de chants, amour du vent et du rayon,
Charmantes, où soudain l'on rencontre un lion.


(Victor Hugo, Il faut que le poète.)

Segunda-feira, Dezembro 7

Até já...

Na Rua de Augusto Rosa...
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Em fundo, Viktoria Tolstoy com You Can't Go Home Again.

Domingo, Dezembro 6

Ensaio com quadradinhos - 4 (continuação)

A Receita


Último capítulo

Em fundo...

Joni Mitchell com Man From Mars.

Sábado, Dezembro 5

Ensaio com quadradinhos - 4

A Receita


Primeiro capítulo


(Continua já, depois de um pequeno intervalo...)

Angústias telefónicas

Na definição inspirada do actor Peter Ustinov (que revi há pouco, com imenso prazer, nas suas representações do Poirot), paraíso é um local sem telefones; e inferno, um local com telefones que não funcionam. Está descoberta, sobre o assunto, a minha alma gémea. Também considero o telefone uma invenção infelicíssima, na medida em que parece não ter conseguido impor-se pela razão pragmática que certamente lhe deu origem: a de permitir comunicar rapidamente sobre questões urgentes. O telefone impôs-se pelo motivo fútil de «matar saudades». Digo fútil porque, a avaliar pela realidade dos nossos dias, as «saudades telefónicas» são fúteis, bastando, para que nasçam, uns escassos segundos de separação entre as partes. E são saudades tão prementes, que só uma chamada imediata e interminável as consola, uma chamada que deambule, sem destino, pelas vidas e estados de alma próprios e alheios, bicando, aqui e acolá, em rotinas do quotidiano, no largo espectro que vai desde a leitura dos jornais à contagem das máquinas de roupa. Os conceitos de brevidade e urgência, tal como os entendo, não se inserem neste quadro. Quanto a mim, tenho com o telefone uma relação bloqueada. Desde logo, porque gosto de sentir saudades. Depois, porque, sendo o gesto e a expressão facial essenciais à clarificação do conteúdo e das intenções de um diálogo, tendo a compensar o receio de não ser compreendida (por falta de imagem) com um ridículo exagero de macieza na voz. Ao telefone, decididamente, eu não sou eu. Entretanto, e como seria de esperar, o bloqueio agravou com a proliferação dos telemóveis. Sofro com a insistência, a diversidade e o estridor dos seus toques, bem como com a audição, no espaço público, da palestra de quantos – milhares, milhões! - têm desregulada a potência das cordas vocais. E o sofrimento atinge paroxismos agora que a minha filha, emancipada e afirmativa, entrou a cavalgar a onda da sociabilidade. Nem sei já que remédio adopte: se destrua subtilmente o aparelho, simulando extravio; se reforce a dose do Omeprazol contra a úlcera gástrica.

Sexta-feira, Dezembro 4

Da Rua Bartolomeu de Gusmão...

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Quinta-feira, Dezembro 3

Diário gráfico







Contributos para uma posição testamentária:

E atirou para a saia que a pequena estendia, a erva que colhera ao pé da sepultura da tia Sabina.
- É da tenra – disse ele – é da que já cresceu depois que a senhora se enterrou…
Artur instintivamente olhou o molho de erva, que a pequena, com muito cuidado, apertava na dobra da saia, contra o ventrezinho. Já havia naquela erva, pensou – porque desde os tempos de Coimbra conservara ideias panteístas – alguma coisa da doce velhinha.
- E para que é a erva, tio Jacinto?
- A erva, Sr. Arturzinho? Ah, que é muito tenra. Escolhi-a de propósito… Saiba V. S.ª que é para os coelhos – respondeu o tio Jacinto, fechando à chave a grade do cemitério.

(Eça de Queiroz, A Capital)

Em fundo...

Brad Mehldau com River Man.

Quarta-feira, Dezembro 2

Saudades de há precisamente um ano...

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Desejos de Natal

A culpa não é do execrável calhau alojado na vesícula do membro da família que, desde que me lembro, toma a liderança do processo de reunião para o jantar natalício, incluindo a disponibilização da casa, a divisão das tarefas culinárias e a elaboração das rimas que identificam os destinatários de cada embrulho. O calhau está condenado e o membro da família há-de recuperar a tempo de reassumir funções. A culpa não é, tão pouco, do deserto árido em que vejo transformada a minha imaginação no que respeita à escolha personalizada de artigos para oferta. Estou certa de que conseguirei encontrar boas respostas para a crise nas livrarias e nas lojas dos museus, de que já encetei uma atenta revisão. A culpa não é sequer da magreza da minha bolsa, porque não a vejo mais delgada do que as outras, sendo que a comunhão na «desgraça» sempre me consolou, quando não insuflou forças para a recuperação do ânimo estremecido. A culpa é de 2009. Por razões que tenho dificuldade em sintetizar - porque se dispersam por um cento de pequenos e grandes episódios de ordem diversa, pública e privada, a maioria anunciando mudanças que ainda retêm, felizmente, o trunfo da incerteza - 2009 instaurou um certo clima que, como água mole em pedra dura, foi conseguindo extinguir esse fundo de optimismo, esse resíduo de inocência e essa já discreta porção de alegria irreverente, que formavam o que em mim sobrava da criança. Acho que entrei, portanto, no «armário» temível da plena condição de adulta, rodeada que me vejo de gente solenemente adulta, que não me estimula a acreditar, nem sequer a fingir que acredito na magia da quadra. E de repente, no curto espaço de doze meses, o Natal deixou de me apetecer. Mas pode ser que aconteça – desejo ardentemente que sim - que, na noite da consoada, os meus sobrinhos se portem mal, muito mal, pessimamente, num convite à distribuição, com os presentes, daquele lote de raspanetes e «apertões» nas bochechas tenras, que é, como é sabido, o outro lado da moeda da esperança.

Terça-feira, Dezembro 1

Yeah, let's go!...

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Segunda-feira, Novembro 30

No Largo de Santa Luzia...

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Em fundo...

Lizz Wright com Lead the Way.

Domingo, Novembro 29

Diário gráfico (e não só)...


Foi então que, da floresta,
Protestou o sábio mocho,
Que o frio não tira a cor,
Antes põe um tipo roxo!

E que o bago definhava
Por causa da solidão.
Melhor seria juntá-lo
Aos outros, no caldeirão.

As princesas concordaram
E, sacudindo a geada,
Adicionaram o mírtilo
À calda da marmelada.

O baguito, remoçado,
Tanto animou com a mistura,
Que nem quis levar açúcar,
Nada perdendo em doçura.

Apressaram-se as princesas
A tomar do facto nota,
Farejando um bom negócio
Na venda desta compota.

E foi assim que, ao mercado,
Chegou um novo «sound bite»:
«Para uma linha perfeita,
Doce de mírtilo light».

Sábado, Novembro 28

Ensaio com quadradinhos - 3 (continuação)

A Dança


Último capítulo

Intervalo

Na Rua Primeiro de Dezembro...

Em fundo, Roxy Music com Don't Stop the Dance.

Ensaio com quadradinhos - 3

A Dança


Primeiro capítulo

(Continua já, depois de um pequeno intervalo...)

Assin.: Luísa


Com os meus agradecimentos: